terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Educação: PROFESSOR ARTICULADOR DA APRENDIZAGEM

Função do Professor Articulador:
  • Contribuir com a construção, reflexão e execução do Projeto Político Pedagógico em todas as suas dimensões (projeto Sala do Educador, reuniões pedagógicas, entre outros);
· Atender, conforme projeto de articulação construído pela escola, os alunos com desafios de aprendizagem, utilizando estratégias pedagógicas complementares, proporcionando vivências formativas cidadãs integradas às atividades desenvolvidas pelo Professor Regente;
· Receber do professor regente o relatório individual dos alunos a serem atendidos pelo projeto de articulação, identificar o perfil de aprendizagem, considerando o estágio de desenvolvimento de cada aluno;
· Elaborar com o coordenador pedagógico no coletivo de professores do ciclo o plano de atendimento aos alunos com desafios de aprendizagem ou em processo de superação (quando houver sala de superação);
· Participar com o coletivo da escola dos momentos de avaliação (conselho de classe) dos alunos atendidos pelo projeto de articulação, bem como da socialização do processo de aprendizagem aos pais e/ou responsáveis;
· Construir com o professor regente um plano de intervenção pedagógica que contemple a especificidade de cada aluno, identificando estratégias eficientes para potencializar as aprendizagens nas diferentes áreas de conhecimento;
· Promover a aprendizagem de todos os alunos atendidos pelo projeto da articulação por meio do uso de estratégias variadas de ensino-aprendizagem;
· Organizar pedagogicamente o tempo e o espaço escolar no sentido de assegurar os processos de aprendizagem dos alunos a serem atendidos pelo projeto de articulação, considerando o estágio de desenvolvimento dos alunos para o atendimento;
· Investigar/avaliar e registrar continuamente as medidas adotadas durante o processo de desenvolvimento dos alunos atendidos pela articulação;
· Encaminhar ao professor regente o relatório descritivo das situações de aprendizagens dos estudantes atendidos, relatando as medidas adotadas, destacando os avanços no processo de desenvolvimento e superação dos desafios iniciais e/ou avanços no processo formativo no ciclo ou de um ciclo para o outro;
· Emitir relatório descritivo final do perfil de aprendizagem, bem como das medidas adotadas que foram eficientes para superar os desafios de aprendizagem dos alunos que não necessitam mais de medidas de apoio pedagógico da articulação;
· Fazer da avaliação uma ferramenta pedagógica para realizar intervenções focadas na aprendizagem;

Fonte: PORTARIA Nº 453/11/GS/SEDUC/MT


Que dispõe sobre os critérios para atribuição do professor articulador das Unidades Escolares da Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso. ROSA NEIDE SANDES DE ALMEIDA -Secretária de Estado de Educação de Mato Grosso.




Educação: Projeto de Intervenção Pedagógica

PLANO DE AÇÃO DA COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA

SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO
JUSTIFICATIVA
OBJETIVO GERAL
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
METODOLOGIA 
DETALHAMENTO DAS AÇÕES 
CRONOGRAMA DAS AÇÕES AVALIAÇÃO
APRESENTAÇÃO

Diante da problemática relacionada ao processo ensino aprendizagem, a EMEB “13 de Maio”, enfrenta grandes desafios. Os últimos anos os índices de alunos que chegam ao terceiro ano sem estar alfabetizados completamente tem crescido muito, temos na escola alunos que chegam ao terceiro ano que não sabem ler, temos ainda aqueles que sabem ler e pouco escrevem, entre outras dificuldades como a produção, interpretação e raciocínio lógico.

Tais dificuldades é um fator que preocupa a escola, no qual reflete futuramente no Ideb. Sabemos que se não trabalharmos para superar estas dificuldades não conseguiremos alcançar as metas projetadas para o ideb e consequentemente um ensino de qualidade, de acordo com o sistema de ensino.

Foi pensando nestes problemas que a coordenação pedagógica da EMEB “13 de Maio”, propõe desenvolver atividades que venha promover o raciocínio lógico e ações voltadas para o aprendizado do aluno, como o acompanhamento mensal através de fichas de leitura, produção textual, interpretação de textos e encaminhamento para reforço com o professor regente e professor articulador.

JUSTIFICATIVA

Levando em consideração a análise do baixo nível do IDEB, a defasagem idade/série e o nível de aprendizagem dos alunos é que este plano de ação da coordenação pedagógica tem como proposta desenvolver um trabalho de acompanhamento pedagógico sistematizado através de ações que tem como objetivo principal atacar os problemas relacionados ao ensino aprendizagem durante o ano de xxxx a xxxxx.

OBJETIVO GERAL

Garantir a execução de todas as ações previstas de maneira que venha desenvolver no aluno o conhecimento de suas capacidades afetivas, físicas e cognitivas para agir com perseverança na busca de conhecimento e no exercício da cidadania.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

•Acompanhar com o professor o planejamento anual;

•Definir e aplicar as habilidades para o período de sondagem no início do ano letivo;

•Orientar o professor na elaboração do planejamento diário;

•Encaminhar alunos para o professor articulador;

•Encaminhar nomes de alunos para reforço com o professor regente;

•Repassar aos pais de alunos de 1ª ao 3ª fases suas dificuldades;

•Sensibilizar os pais quanto ao seu compromisso na aprendizagem de seu filho;

•Acompanhar as ações definidas nas ações do PDE;

•Auxiliar os professores no desenvolvimento dos projetos;

•Realizar eventos que proporciona a visita da família na escola;

•Realizar encontros de formação continuada para a troca de experiências;

•Acompanhar o desenvolvimento da formação continuada na sala de aula;

•Acompanhar as turmas com visitas e leitura;

•Estudo e adequação do PPP de acordo com as mudanças as leis educacionais;

•Definir junto com o facilitador os horários e atividades do laboratório;

•Definir uma forma ou um instrumento de avaliação do plano de ação.

METODOLOGIA

A Escola “13 de Maio” atualmente conta com trinta turmas, quinze no período matutino e quinze no período vespertino.

O desenvolvimento acontecerá com a distribuição entre os períodos matutinos e vespertinos, onde cada coordenadora se responsabilizará por um período.

O acompanhamento da aprendizagem seguirá as ações previstas de acordo com fichas de leitura, escrita e matemática.

Além dessas ações a coordenação estará realizando a intervenção pedagógica de encaminhamento de alunos a articuladora, ao professor regente para reforço e convocando os pais quando necessário e em reuniões bimestrais.

DETALHAMENTO DAS AÇÕES

1. Orientar com leitura, adequação e discussão do planejamento anual;

2. Reunir com professores no início do ano letivo para definir habilidades para o período de sondagem;

3. Reunir por fases e planejar o período de sondagem;

4. Levantar o número de alunos segundo análise feita e encaminhar ao professor articulador;

5. Levantar o número de alunos com defasagem de aprendizagem e encaminhar para o reforço com o professor regente;

6. Convocar pais de alunos do!º ao 5º ano para comunicar as dificuldades;

7. Viabilizar o cumprimento de reuniões bimestrais;

8. Anexar ao plano de ações as ações do PDE;

9. Executar junto com professor cronograma dos projetos.

10.Levantar com cada professor subsídios para execução dos projetos;

11.Realizar dois eventos anuais um em cada semestre;

12.Definir e executar o cronograma de ação de acordo com o projeto de formação continuada;

13.Divulgar e analisar resultados da aprendizagem junto com professor;

14.Construir cronograma de visitas de leitura e escrita;

15.Realizar um encontro semanal no início do ano estudar e adequar a mudanças e normas educacionais;

16.Reunir com o facilitador para elaboração dos horários e atividades do laboratório;

17.Elaborar fichas com questionário para a avaliação.

Na última semana do ano letivo realizaremos a última reunião pedagógica, onde os professores receberão um questionário de avaliação do ano letivo.

CRONOGRAMA DAS AÇÕES

Fev. Mar. Abr. Maio Jun. Jul. Agos. Set. Out. Nov. Dez

AVALIAÇÃO

O instrumento de avaliação contemplará todas as ações definidas no plano de ação. Os resultados das análises dos instrumentos servirão como fonte para o replanejamento do próximo ano.

AUTORIA: Coordenação Pedagógica - Sônia Cristina de Souza Araújo e Zenólha Dias Mendes
Secretaria Municipal de Educação Cultura Esporte Turismo e Lazer de Nova Olímpia - Escola Municipal de Educação Básica “13 de maio”(EMEB)

Educação: Reflexões sobre Educação em Ciclos de Formação Humana em Mato Grosso

Reflexões sobre Educação em Ciclos de Formação Humana em Mato Grosso

A escola organizada em Ciclos de Formação Humana... Esta forma de pensar e fazer educação não são inéditos, começou com a introdução do Ciclo Básico de Aprendizagem (CBA), em 1997, trazendo a redução da repetência e da evasão escolar. A diferença é que, agora, ao invés de concentrar-se nos anos iniciais, espalha–se para todo o Ensino Fundamental.

Esta organização escolar não agradou grande parte dos professores que usavam a reprovação como um recurso metodológico, Cabrera (2006), explica esse pensar, o medo da reprovação é o que motiva o interesse do aluno em estudar argumentando que “se eles sabem que não são mais perseguidos pelo fantasma da reprovação, não se interessarão mais, igualmente pelos estudos”.

Concordo com Vasconcellos (1998, p.114), quando diz: “antes de acabar com a reprovação na legislação, é preciso acabar com ela na cabeça dos educadores”.

Para Cabrera (2006), ainda há de se percorrer um grande caminho, para que as práticas avaliativas não estejam centradas na simples verificação de conteúdos assimilados, e passem a ser instrumentos para diagnosticar possíveis inferências durante todo o processo de ensino e aprendizagem.

Para Fernandes & Freitas (2008), avaliação é uma atividade que envolve legitimidade técnica e legitimidade política na sua realização. Entretanto, o professor deve estabelecer e respeitar princípios e critérios refletidos coletivamente, referenciados no projeto político pedagógico, na proposta curricular e em suas convicções acerca do papel social que desempenha a educação escolar.

Vale ressaltar que, para o êxito da proposta, não basta, automaticamente, transformar as séries em ciclos. A mudança só ganha corpo e realmente revoluciona a partir de um repensar de antigas formas de currículo, avaliação, relação entre professores e estudantes, entre outros aspectos que traduzem a busca cotidiana de mais qualidade no ensino, a partir da transformação da escola, currículo, e consequentemente, do processo avaliativo de caráter classificatório e excludente, marcado pela aprovação x reprovação ao final de cada série, em um processo inclusivo, interativo e de promoção dos sujeitos.

Você, professor, é o principal agente destas transformações. Desde que se dê conta do desafio de romper com padrões já tão enraizados de divisão de ensino e busque seguir, com mais naturalidade o ritmo de desenvolvimento dos alunos. E desde que, compreenda que esta proposta não tem como principal objetivo, ir “empurrando” os alunos, como grande parte dos professores comentam. Pelo contrário, seu objetivo principal é promover uma educação responsável, democrática e de qualidade, onde “todos os alunos devem aprender”. É um ciclo de formação humana e não de conhecimento científico. Por isso, na Escola de Formação Humana, há o Professor Regente, o Professor Articulador, Coordenador Pedagógico e ainda Sala de Superação.

O Professor Regente é o responsável pela turma, por uma ou mais áreas do conhecimento. Já o Professor Articulador, não possui turma fixa, sua tarefa é trabalhar com alunos que, por algum motivo, apresentam dificuldades na aprendizagem. O Coordenador Pedagógico tem a missão de trabalhar de forma articulada com o Professor Regente e Articulador no desenvolvimento dos processos de aprendizagem.

A Sala de Superação foi criada pensando em atender alunos que se encontram matriculados fora do seu ciclo vital. É preciso lembrar que o ensino obrigatório, gratuito e de qualidade, é um direito do cidadão e um dever do Estado, que precisa envidar todos os esforços para garantir a sua concretização e o Estado somos nós, porque nós é que estamos “na base”, que é a escola, e mais especificamente, a sala de aula.

Portanto, professor, cabe a nós, a responsabilidade de conhecermos nossos alunos, suas reais necessidades e assim, elaborarmos um plano que atenda cada um, respeitando suas diferenças individuais. Jamais conseguiremos que “todos” aprendam se aplicarmos um mesmo plano sem considerar suas diferenças, e se continuarmos a querer que cheguem prontos para a fase. Como por exemplo, é rotineiro ouvir esta frase: “Meus alunos estão no quinto ano (ou no sexto, ou no Ensino Médio), mas não sabem ler, interpretar, calcular”... Este problema é nosso e não daquele que passou. Se recebermos um aluno sem o perfil da fase em que estamos trabalhando é nossa obrigação e de nossa responsabilidade, partir de onde ele se encontra, já com os demais alunos que se encontra com o perfil desejável, segue-se em frente. Dá trabalho, não? Mas é a nossa missão.

A sociedade, a mídia não vai dizer que é culpa das autoridades quando vêem um baixo resultado nas provas de rendimento escolar, mas vai “gritar”: - “É culpa dos professores irresponsáveis, que não querem trabalhar. Eles colocam seus filhos em Escolas particulares porque sabem que a Escola onde trabalham, não presta”.

Então vamos arregaçar as mangas, vamos nos unir para essa transformação, podemos juntos, provar que a nossa Escola faz a diferença porque somos todos responsáveis, competentes e capazes... Ao invés de criticar a organização da escola vamos acreditar, estudar, defendê-la e mostrar bons resultados.

Tendo em vista os pressupostos acima citados, bem como o Parecer Orientativo da Escola Organizada por Ciclos de Formação Humana em Mato Grosso, a Equipe do Cefapro Cuiabá-MT, mediante a um diagnóstico solicitado às escolas no início do ano letivo, o qual revelou a necessidade de aprofundamento sobre essa temática.

É nesse sentido que nós, profissionais desta instituição temos nos empenhado, em construir com o coletivo de profissionais da Educação desta região uma concepção de currículo, metodologia e avaliação, considerando que esta forma de organização escolar, permite aos envolvidos no processo, perceber que a promoção automática, seja considerada pelo ciclo vital dos alunos e não um instrumento único de construção de conhecimento científico, bem como possibilidade de aprendizagem.

Para esse trabalho, nos baseamos em alguns autores como Piaget, Vygotsky, Wallon, Freire, Ferreiro, Soares, Perrenoud (1999), Werneck (1996), Vilas Boas (2003), Bloom (1983), Taylle (1992) dentre outros a avaliação formativa corresponde o modelo ideal seguindo a lógica da atual sociedade a medida que haja um rompimento com práticas avaliativas tradicionais, arraigadas na alma do professorado e no sistema de ensino, embora tal rompimento não seja tarefa simples, pois trata-se de rever e re-significar mais de um século de práticas educacionais excludentes, além de superar barreiras como a má formação profissional, baixos salários e o descrédito na profissão do magistério.

O profissional, que trabalha na perspectiva da escola organizada em ciclos de formação humana, não estará preocupado em atribuir notas, “empurrar ou reprovar” aos estudantes, mas em observar e registrar seus percursos durante as aulas, a fim de analisar as possibilidades de aprendizagem de cada um e do grupo como um todo, podendo planejar e re-planejar as possibilidades de intervenção junto às aprendizagens dos estudantes. Lembrando sempre que os envolvidos no processo deverão ter clareza sobre o que é esperado deles para viabilizar a sua participação, interesse, aprendizagem e sua auto-avaliação.

Encerramos, recentemente, as formações da área da Alfabetização, oferecidas neste ano pelo CEFAPRO Cuiabá MT e pudemos registrar que a fundamentação teórica apresentada, estudada e discutida no desenvolvimento dos cursos foi de grande valia aos professores participantes que demonstraram através de comentários, avaliações descritivas e transposições didáticas ter contribuído efetivamente na articulação da teoria e prática em sala de aula.

“É importante refletir sobre a nossa postura perante a realidade dos alunos.Tratar a vida como um conto de fadas não cabe mais.”
(Cibele Sofia)

QUATRO RAZÕES PARA FAZER DA ROTINA SUA ALIADA

1- Melhorar o desempenho profissional

2- Aumentar a participação da turma nas aulas

3- Sentirem-se seguro para lidar com os imprevistos

4- Ter mais tempo para o lazer e a família

MUITO AMOR NO SEU CORAÇÃO!

FONTES DE CONSULTA
CABRERA, R. C. Docência e Desespero: Avaliação da Aprendizagem na Escola Ciclada. Brasilia: Liber Livro Editora, 2006. 189p.
COSTA, Maria Luiza Andreozzi. Piaget e a intervenção psicopedagógica. São Paulo, Editora Olho D’Água, 1997.
DEMO, Educação e Qualidade. Campinas, SP: Papirus, 1994.
DOLLE, Jean Marie. Para compreender Jean Piaget. Rio de Janeiro. Editora Guanabara Koogan, 1991.
FERNANDES C. de O; FREITAS, L. C. Indagações sobre o currículo: Currículo e Avaliação. Brasilia: MEC, 2008. 44p.
FERREIRO, Emília & TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da Língua escrita. Porto Alegre, Artes Médicas, 1991.
FREIRE, Paulo. A importãncia do ato de ler. São Paulo, Paz e Terra,1989
KAMII, Constance e PEURIES, Rhita. Piaget para a educação pré-escolar. Porto Alegre, Artes Médicas, 1992.
MATO GROSSO/SEDUC. Escola Ciclada de Mato Grosso: novos tempos e espaços. Cuiabá, SEDUC. 2000
PERRENOUD, Philippe. Práticas pedagógicas, profissão docente e formação. Perspectivas sociológicas. Lisboa: Publicações Dom Quixote e IIE, 1993.
PIAGET, Jean. A psicologia da criança. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1989.
SOARES, Magda Becker. Linguagem e escola: uma prespectiva social.2. ed. São Paulo: Ática,1986.
________.Letramento: um tema análise em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica,1998.
________. Letramento e alfabetização: as muitas facetas. Revista Brasieira de Educação, Rio de Janeiro, n.25, p.5-17, jan./abr.2004.
TAILLE, Yves De La e outros. Piaget, Vygotsky, Wallon, Teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo, Summus Editorial, 1992.
VASCONCELLOS, Celso dos S. Avaliação: concepção dialética-libertadora. São Paulo, SP: Libertatd, 13ª ed., 2001.
VYGOTSKY, L.S. Pensamento é Linguagem. 4 ed. SP. Martins Fontes, 1991.
__________A Formação Social da Mente, 4 ed. SP. Martins Fontes, 1991.

Autoria:  Elena Roque de Souza Almeida. Professora Formadora na Área da Alfabetização / CEFAPRO – Cuiabá MT.

Fonte: http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/reflexoes-sobre-educacao-em-ciclos-de-formacao-humana-em-mato-grosso/35276/

EDUCAÇÃO: CICLOS DE FORMAÇÃO HUMANA

CICLOS DE FORMAÇÃO HUMANA

UM NOVO TEMPO NA ESCOLA PÚBLICA

Afinal, você sabe o que é uma escola organizada por Ciclos de Formação Humana? Os Ciclos de Formação Humana (CFH) compreendem uma maneira de organização de tempos e espaços escolares dos educados de forma a se adequar melhor a educação escolar às características biológicas e culturais do desenvolvimento de todos os alunos. É uma reavaliação dos sistemas avaliativos, do acesso e permanência dos estudantes na escola. Nos CFH concebe-se o conhecimento como parte integrante da formação humana. Na escola seriada os alunos são organizados por anos, normalmente chamados de séries, em que necessitam obter uma média (entre 60% e 70% dos pontos distribuídos no ano) para receber promoção para o ano seguinte.

Os Ciclos de Formação Humana não se organizam em anos norteados pelos conteúdos a serem ministrados pois cada ser humano tem seu momento certo para ter seu desenvolvimento em relação a construção de um conhecimento. Não se pode trabalhar o calendário escolar sem levar em conta esta questão, sendo esta muito importante para verificar o desempenho do crescimento do educando, não sendo esse limitado aos doze meses de uma ano de maneira rígida e inflexível. Quer saber um pouco mais, então vamos lá! Clique no leia mais e saberá muito mais.

CICLOS DE FORMAÇÃO HUMANA

A implantação dos ciclos de formação humana em todas as escolas de Ensino Fundamental no Estado de Mato Grosso tem provocado e precisa provocar mais ainda, mudanças significativas, no fazer pedagógico diário de cada um dos educadores. Essa maior preocupação em garantir a aprendizagem dos alunos gerou a necessidade de construir o Referencial Pedagógico para nortear o processo ensino-aprendizagem e sistematizar o trabalho de todos os professores no Ensino Fundamental.

Para organizar este fazer pedagógico, a Secretaria de Estado de Educação tem oferecido constantemente aos professores formação continuada, que aos pouco irá sendo construído esse Referencial Pedagógico do Ensino Fundamental.

Não temos dúvidas, e algumas experiências têm nos mostrado isso, que o estudo por projetos, especialmente nos anos iniciais, abre um leque muito grande de possibilidades e o professor precisa ter clareza do que o aluno vai aprender naquele momento específico, pois há uma grade curricular nacional que precisa ser respeitada. E o professor tem que ter clareza e encontrar o equilíbrio, sistematizando o projeto e respeitando os conhecimentos prévios dos alunos.

Alguns aspectos são fundamentais para o sucesso de todo o processo e precisam ser considerados e colocados em prática no nosso dia a dia: o comprometimento dos professores; o trabalho dos coordenadores de ciclo e pedagógicos; o planejamento coletivo; a feitura do perfil da turma; a formação continuada; os momentos de socialização dos resultados, dos problemas, das dificuldades e dos sucessos.

No sentido de melhorar ainda mais a formação dos professores, facilitando a interação e a socialização das experiências, podemos pensar e promovermos eventos que serão realizados trimestralmente, semestralmente ou anualmente: festas escolares, mostra de dança, Festivais da Canção, de música, de poesia, do conto (infantil, juvenil ou Estudantil) festas juninas, ciranda de idéias e criatividades, Semanas dedicadas ao estudo específico de escritores, poetas, músicos e educadores, leituras em praças, em bibliotecas, organização passeios pedagógicos, pesquisas de opinião com pais, amigos, vizinhos, comunidade.

Nestes eventos, além da apresentação dos projetos desenvolvidos com sucesso nas escolas, pode também haver cursos de formação para os professores em geral e o envolvimento efetivo dos pais e alunos.

A educação dentro das escolas precisa de uma reforma, precisa mudar. Atualmente, são levantadas questões que foram muito pouco mencionadas durante grande parte do século, como por exemplo, o caso da organização e gerência do tempo e do espaço na instituição escolar. A forma de reorganizar o do tempo da escolar está ligada a possibilidade de oferecer ao aluno uma melhor qualidade no seu desenvolvimento e desempenho escolar.

De acordo com o escritora Lima, a reorganização temporal da escola em ciclos se insere em um processo de reavaliação. E essa autora destaca que a persistência do fracasso escolar na escola pública, em países economicamente desenvolvidos, alerta para o fato de que a estrutura da instituição tem problemas sérios. Que pode ser o caso do Brasil, mesmo sendo um país economicamente desenvolvido sofre no sentido do fracasso escolar, apesar de que este grave problema não é só de ordem econômica, mas também histórica e cultural.

No Estado de Mato Grosso o Ensino Fundamental tem duração de 09 anos e está organizado em 03 (três) ciclos de Formação Humana. Os Ciclos são organizados em três anos ininterruptos (no entanto na prática ainda não está funcionando assim, pois o educando tem que fazer a matricula anualmente, entendo e penso que isso tem gerado uma certa confusão ou equiparação, ou ainda comparação com a escola seriada) com 200 dias letivos (que deveriam ser 600) e carga horária mínima de 800 (que deveriam ser 2.400) horas por ciclo, garantindo, assim, ao final do ciclo um total de 600 dias letivos e 2.400 horas, cada um. Nesse sentido, a carga horária semanal nos Ciclos é de 20 horas, distribuídas conforme o Projeto Político Pedagógico (PPP) de cada unidade escolar.

O dois primeiros ciclos, ou seja, o ciclo I e ciclo II, as turmas são unidocentes. O professor, prioritariamente, pedagogo acompanhará sua turma durante um ciclo ou ainda, do 1º para o 2º ciclo e vice-versa, conforme as decisões do coletivo de professores, na organização da unidade escolar em seu PPP (na prática isso ainda não está funcionando).

No III Ciclo as turmas são atendidas por docentes com formação específica nas disciplinas que compõem o currículo, porém a ação pedagógica deverá ser por Área de Conhecimento. As Áreas de conhecimento, na Organização por Ciclos de Formação Humana, são trabalhadas na dimensão globalizada partindo de situações reais e concretas que constituem totalidades interdisciplinares, por isso é muito importante o trabalho com projetos.

Os temas Contemporâneos como: drogas, saúde, sexualidade, trânsito, consumo, ética, Educação Ambiental, Orientação para o trabalho e Relações Étnico-Raciais, cidadania, política e muitos outros, devem ser implementados em todas as modalidades de ensino, nas Áreas de Conhecimento que compõem o currículo.

Importantes recursos ou equipamentos tecnológicos como: calculadoras, computadores, softwares educacionais, cartões magnéticos, filmadoras, máquinas fotográficas, celulares, representam novas formas de comunicação e conhecimento e se constituem ferramentas a serem utilizadas em todos os componentes da Base Curricular.

Todas as escolas Estaduais do Ensino Fundamental, Organizadas por Ciclos de Formação Humana, têm assegurado no mínimo um Coordenador Pedagógico e um Professor Articulador de Ciclos, como suporte para a qualidade da aprendizagem no 1º, 2º e 3º Ciclos (isso também na prática não está sendo real).

Tendo em vista que o momento é emergencial e transitório de um sistema (seriado) para uma nova organização ou sistema, cada escola deverá organizar, de acordo com sua realidade, um plano de intervenção e Apoio Pedagógico aos alunos que apresentarem dificuldades no processo de Aprendizagem e que estiverem em defasagem idade/ciclo.

Pouco se fala da questão do tempo, o qual já é determinado para cada aula. Isto é algo que vem historicamente e culturalmente implantado há muitos anos. Lima neste ponto do texto descreve: “A temporalidade da cultura escolar vigente está de tal forma internalizada, que o tempo, tal como ele está organizado, não é sequer lembrado nas discussões pedagógicas e nunca é seriamente questionado.”

Infelizmente, esta idéia de Lima é algo bem sério para refletirmos, pois, sabemos que a reflexão e o debate sobre este tema, gera turbulência e instabilidade na realidade de muitos educadores. Pois, muitos “educadores” estão acomodados, está bom do jeito que está, pra que mexer em algo que funciona, que está indo? E além do mais se não estiver bem não é culpa minha!! Questões como estas começam a fazer eco e estão sendo motivo de preocupação para muitos professores.

Esses outros educadores ao contrário dos acomodados, são profissionais comprometidos e preocupados em transformar a educação tradicional em algo diferente, sem se preocupar se sua aula vai acabar em 50 min., ou ainda, saber que poderão ficar mais de uma aula trabalhando determinado assunto, conteúdo, ou projeto. A autora Lima nos bem claro quando cita: “... mesmo quando não temos a intuição (ou a certeza) de sua inadequação: que falta tempo para ministrar uma matéria, que falta tempo ao aluno para assimilar algo e, principalmente, quando se quer realizar algo de forma diferente em sala de aula, mas não se pode, porque não há tempo".

É preciso planejar a organização o tempo de forma diferenciada, não podemos deixar a escola caminhar de forma tão tradicional. A inovação faz parte do dia-a-dia escolar, mas para que resultados brilhantes ocorram é necessário investir no tempo. O que estamos presenciando há muitos anos é que a aula sempre é interrompida após os 50 min., isso faz com que o aprendizado do aluno naquele momento seja interrompido e mesmo quando o professor voltar na próxima aula para trabalhar tal conteúdo ou atividade, não será a mesma coisa, já perdeu o pique, o entusiasmo e todo o preparo inicial que teve ou deveria ter tido.

A autora Elvira Souza LIMA, com a qual tivemos a oportunidade de participar de uma palestra em Cuiabá/MT, nos faz uma importante revelação a esse respeito escrevendo: “Se o objetivo da escola é promover a aprendizagem humana, o critério fundamental deveria ser a organização do tempo de forma que os indivíduos envolvidos sejam a prioridade e que, portanto, a concepção de tempo acompanhe os processos de aprendizagem e de ensino tal como eles ocorrem na espécie humana, evitando as rupturas criadas sempre que interrompemos uma explicação, uma atividade, um processo de reflexão por causa da forma rígida como o tempo é distribuído no dia-a-dia da escola”.

Percebemos então que quando uma atividade é bem planejada o desenvolvimento do aluno é eficaz, o problema a ser enfrentado é que quando o aluno está no auge de sua aprendizagem a aula é interrompida e segue com outra disciplina. Atualmente, tanto o tempo vivido no dia-a-dia, como o tempo subjacente nos documentos e em materiais escolares, é caracterizado por uma divisão rígida, ou seja, aulas com 40 a 50 minutos de duração, salvo algumas raras exceções .

Mais uma vez Elvira Souza LIMA escreve: “A distribuição do tempo de uma matéria é constante durante todo o ano letivo e desconsidera que a construção de conhecimento, em uma determinada área, não acontece no ser humano com esta regularidade: há momentos em que se torna necessário dedicar em vez de 50 minutos a um assunto, ao menos 3 horas, para que se dê ao educando a possibilidade de completar o ciclo das atividades necessárias para construir o conceito".

Sem sombra de dúvidas, sabemos que cada educando tem seu tempo de aprendizagem, conforme a autora nos afirmou, que nem todo ser humano o conhecimento se dá com a regularidade de um tempo já determinado, ou seja, aulas de 40 a 50 minutos. Pode ser que para alguns alunos o aprendizado pode ocorrer assim, mas, para outros não e esses outros talvez sejam a maioria.

De uma maneira mais simples possível como poderíamos dizer o que vem a ser ciclo de formação humana? Elvira traz uma definição bem simples, clara e objetiva para compreendermos o que vem a ser o ciclo de formação, pois bem: “Ciclo de formação é conseqüência da reconceituação da escola como espaço para formação, não só de aprendizagem (...) não se trata, portanto, de justaposição de aprendizagens das várias áreas, mas concebe-se o conhecimento como parte integrante da formação humana, o que inclui, certamente, a dimensão ética da aquisição e uso do conhecimento”.

A Educação por ciclos de formação humana é uma organização do tempo escolar de forma a se adequar melhor às características biológicas e culturais do desenvolvimento de todos os alunos. Elvira ainda nós escreve ou faz uma citação que muitos entendem ser pensada, mas devemos ter cuidado e pensar que educação como ciclo de formação humana: “não significa portanto, dar mais tempo para os mais fracos, mas antes disso, é dar o tempo adequado para todos.”

Portanto, a idéia de ciclos confere ao processo de aprender como sendo: um trabalho com conteúdos do assim chamado conhecimento formal, simultaneamente ao desenvolvimento de sistemas expressivos e simbólicos a formação.

Por isso o nosso ponto de partida para compreendermos este ponto que Elvira Souza Lima descreve, nada mais é, do que entender, que o ser humano tem seu desenvolvimento diferentemente relacionado as condições de cronologia (tempo, temporalidade) e calendário seguidos na escola. Cada ser humano, ou seja, cada educando tem seu momento certo para ter seu desenvolvimento em relação a construção de um conhecimento.

Não se pode trabalhar o calendário escolar sem levar em conta esta questão, sendo esta muito importante para verificar o desempenho do crescimento do educando. Então de acordo com a autora podemos concluir que “o processo de desenvolvimento do ser humano é de ordem biológica-cultural, se realiza segundo os parâmetros estabelecidos pela genética da espécie, e é função da cultura”. Através desta citação percebemos que os períodos de desenvolvimento, marcados por características distintas uns dos outros, primeiramente, não sejam regulares como a cronologia e calendário, que cada ano tem sempre 12 meses.

Segundo o autor Langevin Wallon, “a educação por ciclo se justifica, pelo fato de que a educação deve ser adaptada ao homem e não aos interesses particulares ou transitórios da economia, da política, nacional ou internacional, das ideologias, nacionalidades ou culturas, como na verdade a educação atual ocorre.”

O mesmo autor ainda nos sugere com uma proposta que é a divisão em ciclos, mas ele deixa claro que tal proposta não tem uma argumentação em favor de aumento da aprendizagem, mas sim de uma re-significação do processo de aprender.

Portanto, a proposta de ciclos de formação humana está ligada a concepção de aprendizagem e desenvolvimento elaborada pela teoria cultural-histórica do desenvolvimento humano. Devendo no entanto, conhecer as funções psicológicas que para Vigostki, tais funções são: memória, atenção volitiva, percepção, imaginação e pensamento.

Wallon ainda explica algumas formas de atividades específicas, como atividade de estudo, ou seja, o ser humano depende da realização de atividades próprias para a construção do conhecimento formal, e as quais dependem da mediação de um professor. Na perspectiva do ciclo de formação humana é fundamental, é no gerenciamento que o tempo e o espaço na escola são definidos. O diretor deve ter como prioridade em seu trabalho, a concentralização das condições necessárias para o desenvolvimento humano e todas as aprendizagens que os alunos necessitam realizar.

Quando formos pensar o currículo é muito importante que façamos uma definição sobre qual o objetivo da ação que se desenrola dentro da escola e que papel ela tem no desenvolvimento do indivíduo como ser humano como ator social. Portanto, o currículo está sempre inserido em um projeto-político-educacional mais amplo. O currículo deve ser elaborado de acordo com a concepção de ser humano em desenvolvimento.

De acordo com Elvira Souza Lima, a escola pode falsear este desenvolvimento, o que até é bem comum em nossos dias, este tipo de ação contra o educando, de impedi-lo a conviver com ele ou, deliberadamente promovê-lo. Pode-se então dizer e concordar com o que a autora descreve que a definição de currículo está atrelada a concepção de cidadão e de indivíduo sócio-cultural que é subjacente à política educacional.

Agora vem uma parte muito importante, que é quando vamos tratar do tema avaliação, temos que ter em mente que a escola avalia seu aluno, pois, se torna parte constituitiva do processo de formação e desenvolvimento do mesmo. Assume um papel ligado ao currículo, uma vez que os princípios adotados na avaliação definem a própria relação com o conhecimento.

Na escola ou na educação organizada por ciclos de formação humana, a aprendizagem é vista como processual, que se efetiva em tempos diversos para cada indivíduo. É nesta perspectiva, que a avaliação contribui na definição do encaminhamento do currículo e faz parte, indiretamente, do planejamento pedagógico das formas de atividade pelas quais se pretende desenvolver o currículo.

No processo do ciclo de formação humana notamos uma diferença bem interessante para o desempenho do aluno. A partir desse ciclo não se passa o aluno de uma série a outra e sim o seu desenvolvimento ocorre por meios de ações que buscam a integração no processo educativo.

Na visão de aluno, terá a possibilidade de desenvolvimento crescente da complexidade dos conceitos e da apropriação progressiva do método, sem se preocupar com repetência, manutenção de serie ou qualquer outro processo excludente.

Diferente do que ocorre no ensino tradicional, onde o aluno não terá sempre o mesmo professor durante todas as séries. Já na formação por ciclos de formação humana, o aluno poderá e deverá ter o professor durante todo o processo. Isto se faz importante, pois, o trabalho que este educador pode realizar será fundamental na construção do conhecimento e desenvolvimento do educando como cidadão e ser humano.

E finalmente, podemos concluir e dizer juntamente com muitos autores que para que seja feita essa reformulação do tempo e espaço na escola, é necessário que os profissionais também estejam preparados para se aliar a esta nova proposta.

Não tem como trabalhar neste ciclo sem antes se capacitar para desenvolver seu trabalho, pois, mesmo quando se entra em um novo plano, fica sempre alguns resquícios anteriores trabalhados. Elvira Souza Lima nos diz: “Não podemos esquecer, aqui, que a redefinição da atividade do professor é um processo e que, portanto, não ocorre da noite para o dia. De fato, temos visto que, nos momentos iniciais da implantação de ciclos, as práticas pedagógicas mantêm-se, em geral, as mesmas ou muito semelhantes às práticas anteriores, principalmente a avaliação.”

Na minha humilde opinião e também na opinião de muitos autores, afirmamos que é muito importante lembrar, que não se pode descartar a essa formação ou capacitação pedagógica do educador, mas deve se levar em consideração que o mesmo deve ter uma postura diferente do que a que ele praticava anteriormente para que se obtenha o resultado esperado que é o desenvolvimento e oportunizar aprendizagem de qualidade ao aluno.

O Educador, que trabalha na perspectiva da escola organizada em ciclos de formação humana, não estará preocupado em atribuir notas, “empurrar ou reprovar” aos estudantes, mas em observar e registrar seus percursos durante as aulas, a fim de analisar as possibilidades de aprendizagem de cada um e do grupo como um todo, podendo planejar e re-planejar as possibilidades de intervenção junto às aprendizagens dos educandos.

Lembrando sempre que os envolvidos no processo deverão ter clareza sobre o que é esperado deles para viabilizar a sua participação, interesse, aprendizagem e sua auto-avaliação.

FONTES DE CONSULTA:
MATO GROSSO/SEDUC. Escola Ciclada de Mato Grosso: novos tempos e espaços. Cuiabá, SEDUC. 2000
LIMA, Elvira Souza. Ciclos de formação: uma reorganização do tempo escolar. São Paulo. S107.1998.
VYGOTSKY, L.S. Pensamento é Linguagem. 4 ed. SP. Martins Fontes, 1991.
DEMO, Educação e Qualidade. Campinas, SP: Papirus, 1994.

Autoria: Vitorio Helatczuk
FONTE:http://www.cefaprojuina.com/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=503:ciclo-formacao-humana-ecola-ciclada&catid=28:tecnologia-educacional&Itemid=28

EDUCAÇÃO: APRENDIZAGEM POR PROJETOS

PROJETO?

O QUE É?

COMO SE FAZ?

A CULTURA DO PROJETO

Como a atividade construtiva de elaborar e desenvolver projetos pode se tornar uma metodologia?

A atividade de fazer projetos é simbólica, intencional e natural do ser humano. Por meio dela, o homem busca a solução de problemas e desenvolve um processo de construção de conhecimento, que tem gerado tanto as artes quanto as ciências naturais e sociais.

O termo projeto surge numa forma regular no decorrer do século XV. Tanto nas ciências exatas como nas ciências humanas, múltiplas atividades de pesquisa, orientadas para a produção de conhecimento, são balizadas graças à criação de projetos prévios.

A elaboração do projeto constitui a etapa fundamental de toda pesquisa que pode, então, ser conduzida graças a um conjunto de interrogações, quer sobre si mesma, quer sobre o mundo à sua volta.

Como diz uma aluna:

"Para mim projeto é igual projeto de arquitetura que o cara faz uma planta pra saber como vai ficar no final só que a diferença é que a gente vai mudando”.


PROJETO - o termo projeto é bastante recente em nossa cultura. São associadas a esse termo diferentes acepções: intenção (propósito, objetivo, o problema a resolver); esquema (design); metodologia (planos, procedimentos, estratégias, desenvolvimento). Assim, podem ser concebidas a atividade intelectual de elaboração do projeto e as atividades múltiplas de sua realização. (Boutinet, 1990).

Você não acha que a atividade construtiva de elaborar e desenvolver projetos pode se tornar uma metodologia de aprendizagem?

APRENDIZAGEM POR PROJETO É O MESMO QUE ENSINO POR PROJETO?

Quando se fala, na educação presencial, em "ensino por projetos", pode-se estar falando do plano da escola, do projeto da escola, de projetos dos professores. Nesse tipo de ensino. Quais são os critérios que os professores seguem para escolher os temas, as questões que vão gerar projetos?

Que vantagens apresentam a escolha dessas questões?


Por que elas são necessárias?


Em que contextos?


Que indicadores temos para medir seus níveis de necessidade?


A quem elas satisfazem?


Ao currículo?


Aos objetivos do planejamento escolar?


A uma tradição de ensino?

Na verdade, no ensino, tudo parte das decisões do professor, e a ele, ao seu controle, deverá retornar.

Como se o professor pudesse dispor de um conhecimento único e verdadeiro para ser transmitido ao estudante e só a ele coubesse decidir o que, como, e com que qualidade deverá ser aprendido.

Não se dá oportunidade ao aluno para qualquer escolha. Não lhe cabe tomar decisões. Espera-se sua total submissão a regras impostas pelo sistema.

Porém, começamos a tomar consciência de nossos equívocos. Pesquisas, em psicologia genética, sobre o desenvolvimento da inteligência e sobre o processo de aprendizagem, evidenciam que pode haver ensino sem haver aprendizagem; que aprendizagem latu sensu se confunde com desenvolvimento; e desenvolvimento resulta em atividade operatória do sujeito, que constrói conhecimento quando está em interação com o meio, com os outros sujeitos e com os objetos de conhecimento de que ele deseje apropriar-se.

Quando falamos em "aprendizagem por projetos" estamos necessariamente nos referindo à formulação de questões pelo autor do projeto, pelo sujeito que vai construir conhecimento. Partimos do princípio de que o aluno nunca é uma tábula rasa, isto é, partimos do princípio de que ele já pensava antes.

E é a partir de seu conhecimento prévio, que o aprendiz vai se movimentar, interagir com o desconhecido, ou com novas situações, para se apropriar do conhecimento específico - seja nas ciências, nas artes, na cultura tradicional ou na cultura em transformação.

Um projeto para aprender vai ser gerado pelos conflitos, pelas perturbações nesse sistema de significações, que constituem o conhecimento particular do aprendiz. Como poderemos ter acesso a esses sistemas? O próprio aluno não tem consciência dele! Por isso, a escolha das variáveis que vão ser testadas na busca de solução de qualquer problema, precisa ser sustentada por um levantamento de questões feitas pelo próprio estudante.

Num projeto de aprendizagem, de quem são as dúvidas que vão gerar o projeto?

Quem está interessado em buscar respostas?

Deve ser o próprio estudante, enquanto está em atividade num determinado contexto, em seu ambiente de vida, ou numa situação enriquecida por desafios.

Mas a escola, ou o curso pode permitir ao aluno escolher o tema, a questão que vai gerar o desenvolvimento de um projeto?

É fundamental que a questão a ser pesquisada parta da curiosidade, das dúvidas, das indagações do aluno, ou dos alunos, e não imposta pelo professor. Isto porque a motivação é intrínseca, é própria do indivíduo.

Temos encontrado que esta inversão de papéis pode ser muito significativa. Quando o aprendiz é desafiado a questionar, quando ele se perturba e necessita pensar para expressar suas dúvidas, quando lhe é permitido formular questões que tenham significação para ele, emergindo de sua história de vida, de seus interesses, seus valores e condições pessoais, passa a desenvolver a competência para formular e equacionar problemas. Quem consegue formular com clareza um problema, a ser resolvido, começa a aprender a definir as direções de sua atividade.

Você não acha que "aprendizagem por projetos" é muito diferente de "ensino por projetos"?


ENSINO X APRENDIZAGEM


ENSINO POR PROJETOS APRENDIZAGEM POR PROJETOS

Autoria.

Quem escolhe o tema? Professores, coordenação pedagógica Alunos e professores individualmente e, ao mesmo tempo, em cooperação

Contextos Arbitrado por critérios externos e formais Realidade da vida do aluno

A quem satisfaz? Arbítrio da seqüência de conteúdos do currículo Curiosidade, desejo, vontade do aprendiz

Decisões Hierárquicas Heterárquicas

Definições de regras,

direções e atividades Impostas pelo sistema, cumpre determinações sem optar Elaboradas pelo grupo, consenso de alunos e professores

Paradigma Transmissão do conhecimento Construção do conhecimento

Papel do professor Agente Estimulador/ orientador

Papel do aluno Receptivo Agente

COMO FICA ENTÃO, O PAPEL DO PROFESSOR?

Nossa experiência mostra que os professores têm se surpreendido muito com a quantidade de informações que os alunos trazem, mesmo sobre conteúdos e tecnologias que não haviam sido tratados no currículo da escola! Observamos então, como as crianças optam por questões diferentes, originais e relevantes! Estas questões geram projetos com oportunidades de muitas buscas e experimentações.

Quais são as novas funções que o professor precisa exercer neste novo contexto?

FUNÇÃO DE ATIVAÇÃO DA APRENDIZAGEM

Um professor, tão aprendiz quanto seus alunos, não funciona apenas congnitivamente, por isso, em um ambiente de aprendizagem construtivista, é preciso ativar mais do que o intelecto. A abordagem construtivista, sob uma perspectiva genética, propõe aprender tanto sobre o universo físico, quanto sobre o universo social.

Mas é fundamental ativar a mente e a consciência espiritual para aprender muito mais sobre seu mundo interior e subjetivo.

A FUNÇÃO DE ATIVAÇÃO IMPLICA:

• Trabalhar consigo mesmo a percepção de seu próprio valor e promover a auto-estima e a alegria de conviver e cooperar;

• Desenvolver um clima de respeito e de auto-respeito, o que significa:

• Estimular a livre expressão de cada um sobre sua forma diferente de apreender o mundo;

• Promover a definição compartilhada de parâmetros nas relações e de regras para atendimento desses parâmetros, que considerem a beleza da convivência com as diferenças;

• Despertar a tomada de consciência pela iniciativa de avaliar individualmente e em grupos, seus próprios atos e os resultados desses atos;

• Buscar a pesquisa e a vivência de valores de ordem superior, como qualidades inerentes a cada indivíduo.

FUNÇÃO DE ARTICULAÇÃO DA PRÁTICA

A função de articular exige grande disponibilidade, com facilidade de relacionamento e flexibilidade na tomada de decisões.

Por que são necessárias essas características?

Porque essa função exige que o professor faça a costura entre os diversos segmentos (professores, alunos, pais, funcionários). Para isso é importante que o professor articulador tenha o apoio dos pares para conseguir exercer essa função!

No que isso se diferencia do papel do supervisor pedagógico, por exemplo?

O professor articulador irá trabalhar junto a um grupo específico do qual ele mesmo faz parte como um dos professores que atua junto aos alunos, vivendo o dia-a-dia da sala de aula do grupo, com suas dificuldades, sucessos e insucessos... e que também é o seu!

Mas o que mesmo significa desempenhar essa função?

• Articulaando as formas de trabalho eleitas pelos alunos, com seus objetivos, interesses e estilos de aprender.

• Gerenciando a organização do ambiente de aprendizagem, programando o uso dos recursos tecnológicos;

• Selecionando softwares, materiais de laboratórios, de biblioteca, de artes, materiais disponíveis em servidores locais e na Web;

• Organizando planilhas de acordo com a solicitação de alunos e professores, para uso compartilhado de tempos e espaços;

• Agendando e divulgando amplamente períodos e temas para comunicação em tempo real (síncrona), entrevistas, visitas, excursões presenciais e encontros virtuais planejados pelos diferentes grupos.

Destacar as possíveis áreas de interesse e/ou necessidades dos aprendizes explorando-as sob a forma de desafios e problemas estimulantes, presencialmente ou via rede.

Subsidiar os outros professores do grupo quanto ao andamento das diferentes frentes investigativas no contexto cotidiano dos alunos.

Coordenar a reflexão sobre a ação, a avaliação da tecnologia em uso, o planejamento de novas ações.

Proporcionar feedback, buscando a integração entre áreas e conteúdos de forma interdisciplinar.

Promover a organização dos materiais didáticos nos repositórios do servidor da rede Telemática ou da rede local.

Auxiliar a contatar os especialistas em diferentes campos do conhecimento.

Você não acha que é fundamental que os professores tenham claro a grande mudança que essa função de articulação traz para o seu papel?

FUNÇÃO DE ORIENTAÇÃO DOS PROJETOS

O orientador de projetos deve escolher os pequenos grupos que queira orientar, e sua escolha precisa ser recíproca, isto é, ele também deve ser escolhido pelos grupos para:

Orientar projetos de investigação estimulando e auxiliando na viabilização de busca e organização de informações, face às indagações do grupo de alunos;

Acompanhar as atividades dos alunos, orientando sua busca com perguntas que estimulem seu pensamento e reflexão, e que também provoquem:

Perturbações na suas certezas e novas indagações;

Necessidades de descrever o que estão fazendo, para testar e avaliar suas hipóteses;

Esforço para formular argumentos explicativos;

Prazer em documentar em relatórios analíticos e críticos seus procedimentos e produtos, seja em arquivos locais, seja em publicações na Internet.

Documentar com registros qualitativos e quantitativos as constatações dos alunos sobre seu próprio aprendizado, promovendo feedback individual e coletivo.

FUNÇÃO DE ESPECIALISTA

Exerça ou não a função de ativar, articular ou orientar, o professor sempre terá de exercer sua função de especialista. Por especialista, num currículo por projetos de aprendizagem, entende-se a função de coordenar os conhecimentos específicos de sua área de formação, com as necessidades dos alunos de construir conhecimentos específicos. Assim, diferentes especialistas podem associar-se para identificar e relacionar aspectos do problema investigado, que não estejam sendo contemplados ou que possam ser ampliados e aprofundados.

No caso das séries iniciais, o professor pode ser um especialista pedagogo, mas o articulador poderá solicitar a colaboração de especialista de outras áreas como Ciências, Matemática, Informática, Robótica, Teatro, Jornalismo, etc., que estejam assessorando um grupo de estudantes mais avançados. Nestes grupos, pode haver necessidade de articular com um especialista pedagogo, para tratar de problemas de letramento, por exemplo.

A visão de cada especialista, num grupo de professores, pode enriquecer o ambiente de aprendizagem, onde se desenvolvem os diferentes projetos dos diferentes grupos. Cada especialista aporta sua valiosa contribuição para que a tecnologia seja usada dentro dos códigos e da metodologia específica de sua área de conhecimento. Entretanto, este uso pode ser harmoniosamente coordenado, no que corresponde aos conteúdos selecionados e aos valores vivenciados para a solução dos problemas propostos, no projeto do grupo.

E O ALUNO? COMO APRENDE?

Mas como o aluno aprende? Como se pode garantir a aprendizagem de conteúdos?

A busca de soluções para as questões que estão sempre surgindo num ambiente enriquecido configura a atitude e a conduta de verdadeiros pesquisadores.

São levantadas dúvidas daquele momento, mas quais são as certezas que ficam?

Em primeiro lugar, tratam-se de certezas provisórias porque o processo de construção é um processo continuado e ocorre numa situação de continuidade alternada com a descontinuidade. Uma certeza permanece até que um elemento novo apareça para ser assimilado.

Para que um novo conhecimento possa ser construído, ou para que o conhecimento anterior seja melhorado, expandido, aprofundado, é preciso que um processo de regulação comece a compensar as diferenças, ou as insuficiências do sistema assimilador. Ora se o sistema assimilador está perturbado é porque a certeza "balançou". Houve desequilíbrio. O processo de regulação se destina a restaurar o equilíbrio, mas não o anterior.

Na verdade, trata-se sempre de novo equilíbrio, pois o conhecimento melhora e aumenta! E, justamente é novo, porque é um equilíbrio que resultou da assimilação de uma novidade e, portanto, da ampliação do processo de assimilação do sujeito, que se torna mais competente para assimilar outros novos objetos e resolver outros novos problemas.

Buscar a informação em si, não basta. É apenas parte do processo para desenvolver um aspecto dos talentos necessários ao cidadão. Os alunos precisam estabelecer relações entre as informações e gerar conhecimento. Não há interesse em registrar se o aluno retém ou não uma informação, aplicando um teste ou uma "prova" objetiva, por exemplo; porque isso não mostra se ele desenvolveu um talento ou se construiu um conhecimento que não possuía.

QUILIBRAÇÃO MAJORANTE - "(...) um sistema não constitui jamais um acabamento absoluto dos processos de equilibração e novos objetivos derivam sempre de um equilíbrio atingido, instável ou mesmo estável, permanecendo cada resultado, mesmo se for mais ou menos durável pleno de novas aberturas (...)" (Piaget, 1976)

O que interessa são as operações que o aprendiz possa realizar com estas informações, as coordenações, as inferências possíveis, os argumentos, as demonstrações. Pois, para construir conhecimento, é preciso reestruturar as significações anteriores, produzindo boas diferenciações e integrando ao sistema as novas significações. Esta integração é resultado da atividade de diferentes sistemas lógicos do sujeito, que interagem entre si e com os objetos a assimilar ou com os problemas a resolver.

Finalmente, o conhecimento novo é produto de atividade intencional, interatividade cognitiva, interação entre os parceiros pensantes, trocas afetivas, investimento de interesses e valores.

A situação de projeto de aprendizagem pode favorecer especialmente a aprendizagem de cooperação, com trocas recíprocas e respeito mútuo. Isto quer dizer que a prioridade não é o conteúdo em si, formal e descontextualizado. A proposta é aprender conteúdos, por meio de procedimentos que desenvolvam a própria capacidade de continuar aprendendo, num processo construtivo e simultâneo de questionar-se, encontrar certezas e reconstruí-las em novas certezas. Isto quer dizer: formular problemas, encontrar soluções que suportem a formulação de novos e mais complexos problemas.

Ao mesmo tempo, este processo compreende o desenvolvimento continuado de novas competências em níveis mais avançados, seja do quadro conceitual do sujeito, de seus sistemas lógicos, seja de seus sistemas de valores e de suas condições de tomada de consciência.

Como será feita a avaliação do rendimento do aluno, se cada um faz um projeto diferente? O importante é observar não o resultado, um desempenho isolado, mas como o aluno está pensando, que recursos já pode usar, que relações consegue estabelecer, que operações realiza ou inventa.

O uso da informática na avaliação do indivíduo ou do grupo por meio de projetos partilhados permite a visualização e a análise do processo e não só do resultado, ou seja, durante o desenvolvimento dos projetos, trocas ficam registradas por meio de mensagens, de imagens, de textos. É possível, tanto para professor como para o próprio aluno, ver cada etapa da produção, passo a passo, registrando assim o processo de construção.

PORTFÓLIO - Uma forma de organizar o material para ser avaliado é valer-se de portfólios. No portfólio, podem ficar registrados todos os trabalhos, contribuições, descobertas, reflexões realizadas pelo aluno e pelo grupo. O registro em portfólio auxilia na própria auto-avaliação, com a vantagem de ajudar o aluno a desenvolver sua autocrítica, a ampliação da consciência do seu trabalho, de suas dificuldades e das possibilidades de seu desenvolvimento.


Autoria: Fagundes, Léa da Cruz - Co-Autoras Luciane Sayuri Sato/ Débora Laurino Maçada


Fonte: http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:-eXzJxUlUdsJ:www.nte-jgs.rct-sc.br/lea.htm+professor+articulador+da+aprendizagem&cd=5&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Educação:Violência, Escola e Temas Transversais

“Violência, Escola e Temas Transversais: Reflexões Necessárias”external image barbie.jpg

Tema transversal: Pluralidade Cultural

Tipos de violência abordados: escolar, física e verbal


● Introdução

O Brasil dispõe de um enorme patrimônio cultural, deixado ao longo de nossa história por seus nativos e imigrantes. Todas essas diferenças culturais chegaram para somar, e fizeram do povo brasileiro um povo rico na pluralidade cultural. Porém, essa questão, esbarra na dificuldade que as pessoas têm em aceitar as diferenças, gerando violência social, refletindo nas escolas, na sala de aula.
Trabalhar a Diversidade Cultural, significa lidar com as questões voltadas aos diferentes grupos étnicos, à homofobia, ao credo, à linguagem, ao vestuário, a valores. Ou seja, um enorme conjunto que nos leva a difícil tarefa de viver em harmonia.
Formas de violência veladas ou não e agressões verbais e/ou físicas, infelizmente são percebidas também nos espaços escolares. E constituem mais um desafio entre tantos que o professor deve administrar na sua rotina e que obviamente não poderá ignorar.

● Referencial teórico

A educação brasileira sofreu muitas influências culturais. Nossas escolas e nossa economia foram construídas com base na cultura colonizadora Europeia, excluindo alguns grupos étnicos, com base em questões religiosas e raciais.
Como a escola é formada por diversos grupos étnicos, com suas crenças e costumes, os Parâmetros Curriculares Nacionais se preocuparam em valorizar a etnia e a cultura dos diferentes grupos sociais brasileiros, sugerindo trabalhar a Pluralidade Cultural, “oferecendo aos alunos a possibilidade de conhecer o Brasil como um país complexo, multifacetado e algumas vezes paradoxal.”
“A abordagem do termo diversidade cultural torna-se um tema atual e relevante a partir do momento em que a escola desenvolve um ensino que procura atender a diversidade cultural de sua clientela (...)” (PAIM e FRIGÉRIO). No entanto, em nossas salas de aula temos uma boa amostra da variedade cultural da nossa sociedade e nos deparamos com situações que dependendo do despreparo dos professores e alunos ainda em formação, são no mínimo constrangedoras, como é o caso das opções de exercício da sexualidade; a questão dos modelos de família como um dos mais complexos para se chegar num consenso razoável. Também temos as divergências de cunho religioso, podendo chegar a graves censuras, críticas e perseguições tanto no âmbito docente como no discente. (...) Esta questão (ou contradição) é um dos pontos fundamentais a ser discutido pelos educadores, ou seja, como pensar a noção de identidade nacional, o universal e o respeito à diferença em momentos em que este último coloca em xeque valores universais? Por exemplo, como tratar dogmas de determinadas religiões que muitas vezes colocam em risco vidas humanas como é o caso da proibição de transfusão de sangue? E chegando no limite , como respeitar seitas que imputam a seus seguidores a realização de sacrifícios humanos?
Tratar de forma superficial estas questões (ou como faz os PCNs não as colocando) reduz o debate a uma superficialidade que não podemos admitir. Está mais do que na hora de colocarmos, como historiadores da educação, que questões candentes como essa não se resolvem modificando-se tão somente conteúdos curriculares mas sim com tentativas de dar sentido à vida, na medida em que esta, em si mesma, vê-se esvaziada de suas problematizações, diluídas em conteúdos curriculares desencaixados da complexa dinâmica social..

● Elaboração de propostas

Elencamos algumas sugestões de atividade possíveis de serem colocadas em prática na sala de aula ou que podem fazer parte do planejamento do professor.
Datas comemorativas (índio, pai, mãe, abolição da escravatura, etc.) e festas folclóricas podem ser ocasiões para serem bem aproveitadas quanto à abordagem da pluralidade cultural.
Pesquisa e seminário: sobre as características regionais do país.
Dramatizações: onde estejam presentes as questões de gênero e os papéis sociais.
Murais e cartazes: ilustrações e gravuras que contemplem as diferentes raças da nossa sociedade.
Filmes e documentários: com a temática das diversas culturas.
Aulas passeio: permitem sempre maior integração do grupo.
Pesquisa de campo: na qual os grupos aprofundariam os conhecimentos a cerca de um tipo de “preconceito” e, elaborassem um trabalho para posterior debate.
Debates: levantando as questões a serem discutidas e esclarecidas como resultado de pesquisa prévia.

● Considerações finais

A Diversidade Cultural deve fazer parte de um Projeto elaborado pelas escolas de ensino fundamental e médio, objetivando o ensino pela democracia e o respeito às diferenças.
"Educar para o entendimento da Diversidade Cultural é educar para uma sociedade melhor, com homens tolerantes, justos e livres de preconceitos." Pensar e repensar a educação: utilizar-se da didática, reconhecendo sua importância e tendo-a como forte aliada nesse processo de fazer da aula um espaço mais para as experiências vividas no cotidiano do que para o livro adotado. Cabe a nós educadores, estarmos sempre atentos, desconfiados e humildes diante das verdades que nós mesmos, como professores e alunos, ajudamos a construir e a ensinar, de modo a estarmos preparados para, a qualquer momento, revisá-las e, se preciso for, para aceitar o "novo", o "diferente", buscarmos articular outras que consigam responder melhor às nossas expectativas atuais de uma sociedade contemporânea e ajudar-nos na busca por uma vida melhor, com certeza, com menos violência, pois é inegável (...)” a contradição entre a exigência pluralista e a exigência unitária , a necessidade de levar em conta a diversidade cultural e a de manter ou de promover um mínimo de coesão social e cultural a fim de evitar a pura e simples desintegração” (FORQUIN, 1993:138).

Fontes:

O DESAFIO DE TRABALHAR A DIVERSIDADE CULTURAL NA
ESCOLA
Eliane Rosário Paim1
Neide Aparecida Frigério1
http://www.univen.edu.br/revista/n005/O%20DESAFIO%20DE%20TRABALHAR%20A%20DIVERSIDADE%20CULTURAL%20NA%20ESCOLA.pdf

Parâmetros Curriculares Nacionais
http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/pluralidade.pdf

PLURALIDADE CULTURAL E FORMAÇÃO DE PROFESSORES : UMA PROPOSTA CRÍTICA
Tania Mara Tavares Silva
Centro Unisal / Fae Unicamp
Fonte: http://projetointerdisciplinaravm2011-1.wikispaces.com/Grupo+4+-+Pluralidade+Cultural+e+Viol%C3%AAncia

" Meus Trabalhos Pedagógicos ": Projeto Educação e diversidade familiar

" Meus Trabalhos Pedagógicos ": Projeto Educação e diversidade familiar

Educación tecnológica: Propuestas didácticas de Lengua

Educación tecnológica: Propuestas didácticas de Lengua: Hace algunos días desde Educacontic nos hicieron la sugerencia, a modo de regalo de Reyes, de proponer alguna actividad realizada con TIC y ...

COMPORTAMENTO: O QUE É PSICOLOGIA SOCIAL?

¿Qué es psicología Social?

La Psicología Social es la ciencia que estudia los fenómenos sociales e intenta descubrir las leyes por las que se rige la convivencia. Investiga las organizaciones sociales y trata de establecer los patrones de comportamientos de los individuos en los grupos, los roles que desempeñan y todas las situaciones que influyen en su conducta.
Todo grupo social adopta una forma de organización social con el fin de resolver más eficazmente los problemas de la subsistencia y para ordenar la convivencia.
La naturaleza humana desempeña un papel en la conformación de la vida social mientras que la estructura social a su vez, con sus hábitos, normas y costumbres también ejerce una influencia en las personas.
El hombres es un ser social y sólo no se podría desarrollar ni crecer porque necesita al otro para llegar a tener conciencia de si mismo.
Los seres humanos tienen la capacidad de trascender los condicionamientos sociales y lograr su identidad y puede llegar a participar activamente, recreando nuevas formas de organización más adecuadas de acuerdo a las necesidades de cada época.
Platón decía que el hombre posee la idea del bien y tiende a la perfección, pero el camino de la vida está lleno de obstáculos y muchos se aferran a las cosas materiales en detrimento del bien común provocando conflictos sociales y crisis de valores.
El afán de acumulación y la fuerza, en todas las culturas, otorgaron el poder y los privilegios a algunos , generando el dominio de unos sobre los otros, las desigualdades, los abusos, los crímenes y las guerras.
Todos los seres humanos tienen su lado oscuro a veces necesario para defenderse de los ataques pero muchos lo desarrollan de más para atacar a los más vulnerables y dominarlos para beneficio propio.
Sin embargo, a pesar de los actuales conflictos mundiales existentes, la humanidad en su conjunto avanza hacia un estado de mayor equilibrio y conciencia social, aunque todavía existan en el mundo bolsones de pobreza extrema, difíciles de erradicar.
Los usos y las costumbres son la base de las normas sociales, que al cristalizarse constituyen el marco de referencia para el control social.
Conocer los errores del pasado permite a la humanidad modificar a la sociedad, y para ello es indispensable efectuar cambios en los sistemas sociales y en las institucionescon el fin del bienestar común y la realización individual.
La Psicología Social enfatiza la influencia del ambiente en el hombre e ignora o minimiza los factores innatos. Sin embargo, el poder del hombre de rebelarse frente a lo establecido, demuestra que posee la capacidad de discernimiento desde un punto de referencia interno que le indica lo que está bien y lo que está mal, independientemente del contexto social al que pertenece.
Miembros de una misma familia, criados en las mismas condiciones pueden pensar diferente, algunos en forma más convencional que otros.
Las sociedades humanas están constantemente en un proceso de cambio y lo mismo ocurre con el lenguaje.
Algunas actividades permanecen y otras cambian, permitiendo la exploración y el descubrimiento en las generaciones jóvenes.
Las tribus, los imperios, las naciones han hecho la guerra y parecería que esto fuera inevitable.
Freud decía que el día que el hombre aprendió a insultar a su enemigo en vez de tirarle una piedra, fue el comienzo de la civilización.
Las condiciones sociales han provocado guerras en todas las épocas pero es hora que las sociedades encuentren la forma de resolver los problemas sin recurrir a la fuerza bruta.
Más que un problema moral es simplemente una cuestión de supervivencia, porque las armas de destrucción masiva ponen en peligro a toda la humanidad.
Los seres humanos poseen instintos, conciencia moral e inteligencia. La naturaleza también posee inteligencia y puede modificar su desarrollo en función a las necesidades del ambiente. La inteligencia humana y la evolución de la conciencia hará posible que las sociedades humanas frente a las controversias, se orienten hacia la búsqueda de soluciones pacíficas.
FONTE: http://psicologiasocialts.blogspot.com/2010/11/que-es-psicologia-social.html?showComment=1322658947665#c1598274078170509914

Mídia ,Ciência e sustentabilidade: Rejeitada exigência de compensação de CO2 em proje...

Mídia ,Ciência e sustentabilidade: Rejeitada exigência de compensação de CO2 em proje...: Por Murilo Souza, da Agência Câmara A Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio rejeitou na quarta-feira (26) o Projeto de...

MEIO AMBIENTE: NATUREZA E PERSPECTIVA DA BIOECONOMIA

MEIO AMBIENTE: NATUREZA E PERSPECTIVA DA BIOECONOMIA

PROF. MARCUS EDUARDO DE OLIVEIRA: ¿Cómo estar sano en un planeta enfermo?

PROF. MARCUS EDUARDO DE OLIVEIRA: ¿Cómo estar sano en un planeta enfermo?: Período espanhol, El Mercurio, publica nosso artigo. elmercuriodigital.es: ¿Cómo estar sano en un planeta enfermo? : OPINIÓN de Marcus Edua...

PROF. MARCUS EDUARDO DE OLIVEIRA: Crescimento econômico com a adoção de uma agenda s...

PROF. MARCUS EDUARDO DE OLIVEIRA: Crescimento econômico com a adoção de uma agenda s...: CONGRESSO EM FOCO (Brasília, DF) publica nosso artigo. Confiram: Crescimento econômico com a adoção de uma agenda social

Boticas & Farmácias: Rede de Tecnologia Social em Plantas Medicinais e ...

Boticas & Farmácias: Rede de Tecnologia Social em Plantas Medicinais e ...: Entre os dias 23 e 25 de março, a cidade de Belém, no Pará, foi palco de discussões sobre Tecnologias Sociais em Plantas Medicinais e Fitote...

EdyLeNe: Comunidades Biológicas: Conceito de Bioma

EdyLeNe: Comunidades Biológicas: Conceito de Bioma

Ciência e Tecnologia: Gerenciar, Delegar e Microgerenciar.

Ciência e Tecnologia: Gerenciar, Delegar e Microgerenciar.: Uma das curiosidades que tinha, era de saber a diferença entre Gerenciar, Microgerenciar e Delegar. Aqui mostrarei a síntese, desses conceit...

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A PREVENÇÃO DE BULLYING NA ESCOLA: UMA EXPERIÊNCIA NO AMBIENTE EDUCACIONAL.


Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro Biomédico
Instituto de Medicina Social
A PREVENÇÃO DE BULLYING NA ESCOLA: UMA EXPERIÊNCIA NO AMBIENTE EDUCACIONAL.
PROJETO
Tese apresentada como requisito parcial para obtenção do título de Especialista, ao Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva, do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Rio de Janeiro
Ano2011
1. INTRODUÇÃO
A Homofobia existe e persiste de forma das mais variadas dentro do seio das escolas, provocado por ações do bullying, pois a relação estabelecida entre professores e alunos bem como nas suas práticas escolares do dia a dia, são estreitas, os temas sobre gênero e sexualidade os tem sido objeto de debate no âmbito da sociedade. É ponto pacífico de que a sexualidade é abordada em um espaço privado, isto é no interior da família, onde é transmitidos os primeiros conceitos sobre a sexualidade, logo após o indivíduo sofre as influencias em espaços públicos, mídias, colegas entre outro, mas, cabe a escola cabe à escola abordar os diversos pontos de vista, valores e crenças existentes na sociedade para auxiliar o aluno a encontrar um ponto de auto-referência por meio da reflexão (BRASIL, 1998).
O bullying homofóbico, onde já existe um grande grupo de pesquisadores, focando esta realidade (FRANKHAM, 1996), pode-se dizer que no dia a dia da escola é um fato real e um tema inquietante para a comunidade escolar que estão diretamente ligados no processo educacional. Quando se quer falar em comunidade escola temos pais, aluno e alunas, professores e professoras, bem como o pessoal técnico e de apoio, O foco principal deste projeto está direcionado na forma e como este fenômeno e percebido por dois elos da escola que estão intimamente ligados o corpo docente e o corpo discente da escola, e como os reflexos desta interação situação favorecem a prática do bullying e em particular o homofóbico e até que ponto ele pode interferir no processo de ensino-aprendizagem.
Descobrir o porquê desta prática ocorrente, e como pode ser evitado, pois se existe o bullying homofóbico, qual seria a melhor maneira de se antever, ou será que a realidade é outra, os discursos, as práticas de professores e alunos são a de sujeitos homofóbicos dentro das escolas, que passam despercebidos neste ambiente.  Desta forma, as características sócio-psicológicas que desencadeiam o bullying denotam a peculiaridade do problema no ambiente escolar, o que será apresentado aqui nesta pesquisa será fruto de uma pesquisa feita entre alunos do ensino médio de uma escola publica, a diversidade de gênero dentro da escola, torna-se um campo fértil, é possível que conviver com essa? Ela é perceptível entre estes grupos? Isto é, estudantes e professores, e como esse comportamento violento e discriminatório, afeta o homossexual, o diferente e o estranho, e com isso reproduzem formas de preconceito e discriminação, que podem levar a conseqüências das mais diversas, e chegar ao extremo da violência que é a morte, os profissionais da educação, no nosso caso professores estão preparados para este tipo de problemas? E quais as ações mitigadoras por parte dos educadores, funcionários e familiares envolvidos nesta comunidade. Percebe-se que a homofobia, pode assumir várias facetas e que por diversas vezes de forma bem explícita. É preciso uma tomada de atitude, assim, seu enfrentamento precisa de uma gama de ações, que vai além do ambiente escolar, levando a vários questionamentos das formas de empoderamento que estão associadas ao gênero e à sexualidade humana, que vem há vários séculos ocorrendo em nossa sociedade. Que se mostra visivelmente heteronormativa. Por isso, a escola precisa estar focada no individuo, no cidadão, se posicionando no reconhecimento da diversidade sociocultural existente entre as pessoas. Prover uma escola que seja fomentadora de um a política de inclusão social para garantir a cidadania e os direitos sociais já conquistados. Por outro lado, pretende-se descobrir qual será a visão crítica exerce o agressor e o agredido. E se as ações educacionais podem promover a eqüidade de gênero, num ambiente rico em diversidade de gênero, de raça e de cultura, para combater o, bullying, o sexismo e a homofobia dentro da escola. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) de 1998 inclui os temas gênero e a sexualidade como temas transversais, mas, só isso garante o respeito à pessoa independente de sua opção ou orientação sexual?
4. BIBLIOGRAFIA
BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental.  Parâmetros Curriculares Nacionais: Apresentação dos Temas Transversais – Orientação Sexual. Disponível em http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro102.pdf . Acessado em 13 Agos.2011.
FANTE, Cleo. Fenômeno Bullying: como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz. 2ª Ed. Ver. Campinas, SP: Verus editora, 2005.
FRANKHAM, J. (1996). Young Gay Men and HIV Infection, AVERT, Horsham.
MAC AN GHAILL, M. (1991). Schooling, sexuality and male power: towards an
emancipatory curriculum. Gender and Education, 3, 291–309.
SILVA, Geane de Jesus. Bullying: quando a escola não é um paraíso, Artigo publicado na edição nº 364 do jornal Mundo Jovem - março de 2006, páginas 2 e 3 Disponível em: http://www.mundojovem.com.br/bullying.php

Autor: JOSÉ CARLOS M. CUNHA -  karlinhosrecife@yahoo.com.br
CONTATO PARA PALESTRAS: 65-9305.5103 - karlinhosrecife@yahoo.com.br